terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

For

Tenho um aperto no peito
Aperto profundo, escuridão forçada
Escuridão azul, ou incolor, insegura
Solto, solitário
Isolado.

Palavras avulsas. Soltas na rua.
Longe de tudo. Amor a distância.
Inconstância. Ausência.
Demência.

Não adianta. Tempo a perder. Entender?
Não, minha cabeça. Suas lacunas.
Diferentes. Fortes ou fracas.
Desconectadas.

E observe o escuro. Silêncio. Mudo.
Palavras, frases, sensações resumidas.
No que for.
Dor.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Encontrar

Quase na hora de voltar
A volta à viagem
A volta ao começo da ousadia
A volta ao recomeço de objetivos.

E recomeço onde parei.
No 17º janeiro. Na despretensão, na ousadia.
Na maluquice do dia, nas novas conquistas.
Na nova alegria.

Intensidade não é simples.
Não é óbvia como as futilidades.
Vem tudo ao mesmo tempo.
E me da essa vontade de largar tudo.

Os sonhos guiam cada manhã.
O conformismo da alegria me faz não querer mais.
Mas a intensidade me pede pra variar.
Sem a intenção de me encontrar.

Assim

Enquanto o mundo cair, não me avise.
Enquanto tudo ruir, não me explique.
Meu olhar não é o seu.
Esse, vago, não é meu.

Não vivo dessa amargura.
Não absorvo essa decepção.
Não choro em vão.
Ainda que repita sempre o não.

Não, funciono diferente.
E diferente de ontem, hoje sei de mim.
Sei que isso não será pra sempre assim.
Mas aprendo sobre mim.

Eu digo pra mim que nem todo dia é baixo.
Eu sei que ontem quase joguei tudo pro alto.
Mas sabia que dias piores vem e vão.

Acabarão e voltarão.
Como ontem cessaram.
Como amanhã me aguardam.

Cotidiano

A cada manhã, mais um dia.
Mesma rotina, mesmo dia.
Tudo se repete, envelhece.

E isso escapa de mim como água nas mãos.
E envenena como mercúrio no pulmão.
Não vou agradecer meus dias por comparação.
Hoje não.

Me jogo desse prédio e caio entre estacas.
Perfuro meu peito, minha pele, meus olhos.
Olhos profundos, sem imagem ao fundo.
Pele cinza e gelada, tristeza calada.

A tradução de amargura.
A tradução de vida dura.
A frieza do ser humano.
A desesperança, o desencanto.

O fraco morre em pé.
O forte finge quem não é.
Aí, amanhã acordo de novo e vejo tudo, de novo.

Minhas feridas... Abertas, fechadas.
Meu sangue, que ja vi tanto.
Meu veneno, meu encanto...
Cotidiano

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Trapaça

Esmeraldas perfeitas.

Azul, céu, rubi, fogo.
Pobre e desiludida, toda minha.

Cantei em javanês, fingindo ser inglês.
Tropecei em falso, me joguei do alto.
Fingi lágrimas, que não saem sequer com dor.

Pobre menina minha.
Minha alma falsa é dela.
Ela que não sabe a minha idade.
Ambiciosa, mas sem maldade...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Neblina

Sentei pra tomar uma bebida.

Me pediram uma gorjeta.
Andei só pra relaxar.
Vi duas discussões no bar.

Cutuquei pra saber do caderno caído.
O moço tinha um fone no ouvido.
Fui no caixa pedir uma informação.
A velha na fila me brigou de montão.

Queria decidir o que fazer da vida.
Liguei pra minha tia rica: tava falida.
E disse pra mim fazer qualquer engenharia.
Pra ficar rico antes dos trinta.

Mas eu queria tanto sair pra relaxar.
Viajar e, se possível, cantar.
Com muito pouca pretensão.
"O quê?! Aspiração?! Não, não!"

Minha mãe falou pra casar com a vizinha rica.
Meu irmão pra esquecer o que eu queria.
Meu pai pra pagar minhas próprias saídas.
E acabou que esqueci de fazer a matrícula!

Saí de casa cedo.
E vi o mundo feio.
Mas vo continuar na linha.
Já sabia que ia ter neblina...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Casada

Por que casou?

Ontem era minha, achei que ainda é.
Fez o que fez. Ainda me quer?

Se éramos felizes para sempre.
Nossos filhos com nomes bonitos.
Tudo tão eternamente.

Escreveu quando menos esperava.
Brotou do amor, da paixão.
Foi minha tola atração?

Aí mudou e casou.
Fico aqui procurando a resposta.
Deixou o corpo te levar.

Levou lá no desconhecido.
E casou, de mim, comigo.
Esse coração: terreno proibido...