domingo, 14 de fevereiro de 2016

Continuo te querendo

Não passou, continuo te querendo.
Continuo te perturbando.
Nossa, por dentro, não quero nem saber da forma como vou expressar.
Só te quero.
Quero. Não paro de querer, é muito forte.
É constante, só por hoje, mas é uma eternidade.

Olha, nem sei se realmente devo.
Na verdade, sei que não devo.
Eu não sei.
Aliás, sei sim.
Desculpa, isso me deixa meio sem orientação.
Mas, no fundo, sei que não devo.
Sei que vai ser pior pra mim.
Toda obsessão, quando saciada, gera mais obsessão.

Mas, veja, e se eu conseguir um meio termo?
Vamos conversar.
Se eu tiver você só um pouquinho.
Depois desse pouquinho, eu juro, eu te deixo em paz.
E fico só, na minha.

Só por hoje.

Me ajuda a superar o tal te querer.
Eu sei que não devo, mas é só um pouquinho.
Só até esse hoje eterno passar.
E eu arrumar outra obsessão para me matar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Volume e tempo

Sabe de uma coisa? Quero mais! Quero muito!
O que temos aí? X unidades? Quero o triplo, para hoje mesmo!
Alias, que horas são? Consegue fazer isso em algumas horas?
Acho que consegue sim, vejo que você está meio ocioso.
Então vamos combinar assim. Quero esse específico multiplicado por X vezes em um espaço de tempo bem curto.
Quão curto? O suficiente para te deixar bem desconfortável. Afinal, sair da zona de conforto é algo bom, não?

Sabe o que fiz semana passada? Tirei todos os relógios da sala. Não é literalmente não, tirei mesmo. Tirei do computador, do celular, do pulso. Só tirando me dei conta quantos relógios tinha colocado à minha volta.

Sabe no que isso me ajudou? No meu processo de alienação. Sem eles não teria conseguido ser tão mecânico, tão angustiado, tão ansioso.

Acha que consegui controlar melhor meu tempo? Bom, consegui sim. Tenho sempre mil prioridades. Tantas que fica mais fácil dizer aquilo que não é. E com tantas prioridades, consigo evitar muitas coisas não prioritárias para fazer. Mas acabo não fazendo também aquilo que é prioritário, pois, veja só você, com o tempo a prioridade perde valor.

Maldito tempo curto.

Alias, que horas são?
Ainda?!
Caramba, esse evento negativo é eterno?!
Ainda falta muito para aposentar?
Falta muito para morrer?

A vida com relógio é artificial, assim como ele é. O tempo é natural, o relógio é invenção do ser humano.

Viver olhando para o tempo é como correr e não para de olhar quantos quilômetros faltam.

A eterna sensação que ainda falta muito e a cegueira de não saber o que foi percorrido.

sábado, 19 de junho de 2010

O...?

Parece tanto aquelas planícies douradas. Aqueles desertos vermelhos.
Uma montanha grande listrada e um carro velho sem ar condicionado, bem ao estilo americano. Milhares de rochas, aquele deserto da natureza e humano. Um road movie, ou até mesmo uma cidadezinha e um pequeno comércio.
Atemporalidade, falta de perspectiva, mas sem negatividade e amargura.
Vou te dizer que é dificil explicar um dia assim. Apesar de definirem a maior parte dos dias. A maioria dos dias.
A definição disso? Não é precisa, mas é a maior da busca.
A maldição da ausência do que possa ser explicado, justamente por são tão buscado.
O velho seco desejo pelo meio-termo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A liberdade

O resultado da liberdade é a angústia. O resultado é o comodismo e o marasmo. O resultado é o instinto, o certo e o errado. Errado sem culpa. Certo sem glória.
O resultado da liberdade é a inconstância. A reverência aos dias ridículos passados. O nostalgismo infundado, a reclamação da perfeição, a emoção.
O resultado da liberdade é a monótona busca pelo novo. É o arrependimento do velho largado na última mudança. É o deslumbramento com a arte infundada, são os aplausos com os versos batidos.
Isso, somada à preguiça na disciplina, somado ao desestimulo à obediência, é o estopim para o descontrole.
O estranho, somado à ausência de conhecimento sobre o benéfico ou maléfico, fazem de tudo, no mínimo, louco. Porém, o criativo carece do negativo e a ausência da regra trás o delírio da intensidade.
Sim, a liberdade é muito viva e majoritariamente intensa. Não pela ausência da regra e suas adjacências racionais, mas pela despretensão com a sanidade.

Instinto

E eu fico entre esse clichê de ser o rico frustrado.
Ou de ser o bom que gosta do mau.
Ou da doçura corrompida. Da atração pelo devaneio.

E eu fico esperando amar eternamente o errado.
Abraçar o tormento e ser incapaz de largar.
Lutar contra o meu lado escuro. Ser inseguro.

Será que a felicidade me aguarda em uma linha esquecida?
Ou será que ela foge mais rápida que os meus aprendizados?
Será que meu instinto é decadente?
Ou o tormento foge da minha opção?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

For

Tenho um aperto no peito
Aperto profundo, escuridão forçada
Escuridão azul, ou incolor, insegura
Solto, solitário
Isolado.

Palavras avulsas. Soltas na rua.
Longe de tudo. Amor a distância.
Inconstância. Ausência.
Demência.

Não adianta. Tempo a perder. Entender?
Não, minha cabeça. Suas lacunas.
Diferentes. Fortes ou fracas.
Desconectadas.

E observe o escuro. Silêncio. Mudo.
Palavras, frases, sensações resumidas.
No que for.
Dor.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Encontrar

Quase na hora de voltar
A volta à viagem
A volta ao começo da ousadia
A volta ao recomeço de objetivos.

E recomeço onde parei.
No 17º janeiro. Na despretensão, na ousadia.
Na maluquice do dia, nas novas conquistas.
Na nova alegria.

Intensidade não é simples.
Não é óbvia como as futilidades.
Vem tudo ao mesmo tempo.
E me da essa vontade de largar tudo.

Os sonhos guiam cada manhã.
O conformismo da alegria me faz não querer mais.
Mas a intensidade me pede pra variar.
Sem a intenção de me encontrar.