sábado, 16 de janeiro de 2010

Encontrar

Quase na hora de voltar
A volta à viagem
A volta ao começo da ousadia
A volta ao recomeço de objetivos.

E recomeço onde parei.
No 17º janeiro. Na despretensão, na ousadia.
Na maluquice do dia, nas novas conquistas.
Na nova alegria.

Intensidade não é simples.
Não é óbvia como as futilidades.
Vem tudo ao mesmo tempo.
E me da essa vontade de largar tudo.

Os sonhos guiam cada manhã.
O conformismo da alegria me faz não querer mais.
Mas a intensidade me pede pra variar.
Sem a intenção de me encontrar.

Assim

Enquanto o mundo cair, não me avise.
Enquanto tudo ruir, não me explique.
Meu olhar não é o seu.
Esse, vago, não é meu.

Não vivo dessa amargura.
Não absorvo essa decepção.
Não choro em vão.
Ainda que repita sempre o não.

Não, funciono diferente.
E diferente de ontem, hoje sei de mim.
Sei que isso não será pra sempre assim.
Mas aprendo sobre mim.

Eu digo pra mim que nem todo dia é baixo.
Eu sei que ontem quase joguei tudo pro alto.
Mas sabia que dias piores vem e vão.

Acabarão e voltarão.
Como ontem cessaram.
Como amanhã me aguardam.

Cotidiano

A cada manhã, mais um dia.
Mesma rotina, mesmo dia.
Tudo se repete, envelhece.

E isso escapa de mim como água nas mãos.
E envenena como mercúrio no pulmão.
Não vou agradecer meus dias por comparação.
Hoje não.

Me jogo desse prédio e caio entre estacas.
Perfuro meu peito, minha pele, meus olhos.
Olhos profundos, sem imagem ao fundo.
Pele cinza e gelada, tristeza calada.

A tradução de amargura.
A tradução de vida dura.
A frieza do ser humano.
A desesperança, o desencanto.

O fraco morre em pé.
O forte finge quem não é.
Aí, amanhã acordo de novo e vejo tudo, de novo.

Minhas feridas... Abertas, fechadas.
Meu sangue, que ja vi tanto.
Meu veneno, meu encanto...
Cotidiano