sábado, 19 de junho de 2010

O...?

Parece tanto aquelas planícies douradas. Aqueles desertos vermelhos.
Uma montanha grande listrada e um carro velho sem ar condicionado, bem ao estilo americano. Milhares de rochas, aquele deserto da natureza e humano. Um road movie, ou até mesmo uma cidadezinha e um pequeno comércio.
Atemporalidade, falta de perspectiva, mas sem negatividade e amargura.
Vou te dizer que é dificil explicar um dia assim. Apesar de definirem a maior parte dos dias. A maioria dos dias.
A definição disso? Não é precisa, mas é a maior da busca.
A maldição da ausência do que possa ser explicado, justamente por são tão buscado.
O velho seco desejo pelo meio-termo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A liberdade

O resultado da liberdade é a angústia. O resultado é o comodismo e o marasmo. O resultado é o instinto, o certo e o errado. Errado sem culpa. Certo sem glória.
O resultado da liberdade é a inconstância. A reverência aos dias ridículos passados. O nostalgismo infundado, a reclamação da perfeição, a emoção.
O resultado da liberdade é a monótona busca pelo novo. É o arrependimento do velho largado na última mudança. É o deslumbramento com a arte infundada, são os aplausos com os versos batidos.
Isso, somada à preguiça na disciplina, somado ao desestimulo à obediência, é o estopim para o descontrole.
O estranho, somado à ausência de conhecimento sobre o benéfico ou maléfico, fazem de tudo, no mínimo, louco. Porém, o criativo carece do negativo e a ausência da regra trás o delírio da intensidade.
Sim, a liberdade é muito viva e majoritariamente intensa. Não pela ausência da regra e suas adjacências racionais, mas pela despretensão com a sanidade.

Instinto

E eu fico entre esse clichê de ser o rico frustrado.
Ou de ser o bom que gosta do mau.
Ou da doçura corrompida. Da atração pelo devaneio.

E eu fico esperando amar eternamente o errado.
Abraçar o tormento e ser incapaz de largar.
Lutar contra o meu lado escuro. Ser inseguro.

Será que a felicidade me aguarda em uma linha esquecida?
Ou será que ela foge mais rápida que os meus aprendizados?
Será que meu instinto é decadente?
Ou o tormento foge da minha opção?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

For

Tenho um aperto no peito
Aperto profundo, escuridão forçada
Escuridão azul, ou incolor, insegura
Solto, solitário
Isolado.

Palavras avulsas. Soltas na rua.
Longe de tudo. Amor a distância.
Inconstância. Ausência.
Demência.

Não adianta. Tempo a perder. Entender?
Não, minha cabeça. Suas lacunas.
Diferentes. Fortes ou fracas.
Desconectadas.

E observe o escuro. Silêncio. Mudo.
Palavras, frases, sensações resumidas.
No que for.
Dor.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Encontrar

Quase na hora de voltar
A volta à viagem
A volta ao começo da ousadia
A volta ao recomeço de objetivos.

E recomeço onde parei.
No 17º janeiro. Na despretensão, na ousadia.
Na maluquice do dia, nas novas conquistas.
Na nova alegria.

Intensidade não é simples.
Não é óbvia como as futilidades.
Vem tudo ao mesmo tempo.
E me da essa vontade de largar tudo.

Os sonhos guiam cada manhã.
O conformismo da alegria me faz não querer mais.
Mas a intensidade me pede pra variar.
Sem a intenção de me encontrar.

Assim

Enquanto o mundo cair, não me avise.
Enquanto tudo ruir, não me explique.
Meu olhar não é o seu.
Esse, vago, não é meu.

Não vivo dessa amargura.
Não absorvo essa decepção.
Não choro em vão.
Ainda que repita sempre o não.

Não, funciono diferente.
E diferente de ontem, hoje sei de mim.
Sei que isso não será pra sempre assim.
Mas aprendo sobre mim.

Eu digo pra mim que nem todo dia é baixo.
Eu sei que ontem quase joguei tudo pro alto.
Mas sabia que dias piores vem e vão.

Acabarão e voltarão.
Como ontem cessaram.
Como amanhã me aguardam.

Cotidiano

A cada manhã, mais um dia.
Mesma rotina, mesmo dia.
Tudo se repete, envelhece.

E isso escapa de mim como água nas mãos.
E envenena como mercúrio no pulmão.
Não vou agradecer meus dias por comparação.
Hoje não.

Me jogo desse prédio e caio entre estacas.
Perfuro meu peito, minha pele, meus olhos.
Olhos profundos, sem imagem ao fundo.
Pele cinza e gelada, tristeza calada.

A tradução de amargura.
A tradução de vida dura.
A frieza do ser humano.
A desesperança, o desencanto.

O fraco morre em pé.
O forte finge quem não é.
Aí, amanhã acordo de novo e vejo tudo, de novo.

Minhas feridas... Abertas, fechadas.
Meu sangue, que ja vi tanto.
Meu veneno, meu encanto...
Cotidiano