sábado, 16 de janeiro de 2010

Cotidiano

A cada manhã, mais um dia.
Mesma rotina, mesmo dia.
Tudo se repete, envelhece.

E isso escapa de mim como água nas mãos.
E envenena como mercúrio no pulmão.
Não vou agradecer meus dias por comparação.
Hoje não.

Me jogo desse prédio e caio entre estacas.
Perfuro meu peito, minha pele, meus olhos.
Olhos profundos, sem imagem ao fundo.
Pele cinza e gelada, tristeza calada.

A tradução de amargura.
A tradução de vida dura.
A frieza do ser humano.
A desesperança, o desencanto.

O fraco morre em pé.
O forte finge quem não é.
Aí, amanhã acordo de novo e vejo tudo, de novo.

Minhas feridas... Abertas, fechadas.
Meu sangue, que ja vi tanto.
Meu veneno, meu encanto...
Cotidiano

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