quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Trapaça

Esmeraldas perfeitas.

Azul, céu, rubi, fogo.
Pobre e desiludida, toda minha.

Cantei em javanês, fingindo ser inglês.
Tropecei em falso, me joguei do alto.
Fingi lágrimas, que não saem sequer com dor.

Pobre menina minha.
Minha alma falsa é dela.
Ela que não sabe a minha idade.
Ambiciosa, mas sem maldade...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Neblina

Sentei pra tomar uma bebida.

Me pediram uma gorjeta.
Andei só pra relaxar.
Vi duas discussões no bar.

Cutuquei pra saber do caderno caído.
O moço tinha um fone no ouvido.
Fui no caixa pedir uma informação.
A velha na fila me brigou de montão.

Queria decidir o que fazer da vida.
Liguei pra minha tia rica: tava falida.
E disse pra mim fazer qualquer engenharia.
Pra ficar rico antes dos trinta.

Mas eu queria tanto sair pra relaxar.
Viajar e, se possível, cantar.
Com muito pouca pretensão.
"O quê?! Aspiração?! Não, não!"

Minha mãe falou pra casar com a vizinha rica.
Meu irmão pra esquecer o que eu queria.
Meu pai pra pagar minhas próprias saídas.
E acabou que esqueci de fazer a matrícula!

Saí de casa cedo.
E vi o mundo feio.
Mas vo continuar na linha.
Já sabia que ia ter neblina...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Casada

Por que casou?

Ontem era minha, achei que ainda é.
Fez o que fez. Ainda me quer?

Se éramos felizes para sempre.
Nossos filhos com nomes bonitos.
Tudo tão eternamente.

Escreveu quando menos esperava.
Brotou do amor, da paixão.
Foi minha tola atração?

Aí mudou e casou.
Fico aqui procurando a resposta.
Deixou o corpo te levar.

Levou lá no desconhecido.
E casou, de mim, comigo.
Esse coração: terreno proibido...

Hoje

E não escolho: não vivo. E não te tenho.
E me deixo na parede, te prendo.
Escolho, de novo: não vejo.

Ser cego hoje, não quero.
Quando o mundo é complexo.
Não penso como quero.

Tenho voz e grito.
Pedestres com fone de ouvido.
Cantores ridículos.

Não penso sem moeda.
Idéia pra virar porquinho.
Porquinho pequenino.

Meu chão é assim, todo programado.
Meus conhecidos são assim, robotizados.
Meus amores, desligados.
Meus amigos, frustrados.